sábado, 2 de agosto de 2014

O BÊBADO NO VELÓRIO

Ontem fomos ao velório de uma senhora que faleceu aos 83 anos, moradora de um sítio no Nossa Senhora da Vitória, antes mesmo da formação daquele bairro. Muito conhecida e querida, a casa estava completamente lotada quando chegamos. No recinto onde o corpo estava sendo velado ocorria um culto, com a participação de dois pastores evangélicos.
Não conseguindo adentrar ao recinto, fomos gentilmente agraciados com duas cadeiras e nos sentamos na frente da casa, ouvindo a pregação e os cânticos. Desde quando chegamos, percebi a presença de um senhor, que chorava muito, cuja fisionomia demonstrava um alto teor de álcool na corrente sanguínea.
Durante a cerimônia religiosa, o bêbado forçou a passagem e entrou na sala, “cantando” e “gesticulando” na tentativa de acompanhar os que efetivamente participavam do culto.
Em determinado momento, o pastor perguntou: “Quem aqui quer aceitar Jesus?”. Creio que não preciso dizer o óbvio. O bêbado de imediato gritou: “Eu!”. O pastor então disse: “Responda o que perguntar”. O sujeito respostou: “Responda o que perguntar”. O pastor: “como é seu nome?”. O bêbado: “como é seu nome?”. Daí em diante o pastor desistiu de convencer e converter o sujeito, voltando a atenção às orações pela alma da finada.
Quando o féretro saiu, com muitas lamentações e choro, tomamos o rumo do cemitério São João Batista, no Nelson Costa, decididos a esperar o cortejo na porta do campo santo, ao lado do portão principal.
Minutos depois, o carro funerário se aproxima e faz a curva em direção ao mercado da zona sul, parando em frente ao portão lateral. Rapidamente nos dirigimos para alcançar em tempo o cortejo. Para nossa surpresa, o jazigo da família estava localizado a três metros do portão. Ficamos aguardando na entrada a chegada do caixão, conduzido por quatro homens, quando percebi que o bêbado estava segurando a alça da frente. Ao transpor o portão, o coveiro indicou o caminho e disse: “a sepultura é aqui, podem assentar o caixão”. Quando percebeu que o caminho a ser percorrido era curto, o bêbado clamou: “Tão perto! Vamos dar uma volta lá por cima!”.
Não deu tempo de sair para gargalhar. Ri na frente da finada e seus familiares.

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